Entrevista com Valmir Veloso, proprietário e organizador do CVV – Circuito Veloso de Vaquejada.
Veja abaixo a entrevista que fizemos com Valmir Veloso, criador e organizado do CVV – Circuito Veloso de Vaquejada. Conversamos um pouco sobre as características do circuito, os desafios de se organizar um circuito como esse e as novidades para 2023.
Confira a entrevista abaixo:
Valmir, antes você organizava o circuito ABV e hoje você organiza o CVV. Qual a diferença entre os dois circuitos?
O Circuito da ABV era da Associação Baiana de Vaquejada, portanto não era um circuito privado, pertencia a essa associação. O CVV é um circuito privado e eu sou o proprietário e organizador. Além disso no Circuito ABV nós seguimos a classificação da vaquejada normal para as categorias e no CVV usamos o índice técnico. No CVV foi criada uma organização das categorias Série A – Profissional, Série B – Amador e Série C – Aspirante.

Como funciona esse índice técnico?
Com a experiência de 11 anos a frente da ABV nós sabíamos quem eram os atletas de cada categoria. Com a média de pontuação desses 11 anos foi criado o índice técnico. Ele funciona como um sistema de acesso de cada categoria para a categoria imediatamente acima. Por exemplo, se um competidor da Série C fizer 85 pontos durante o circuito CVV de determinado ano ele automaticamente é promovido de categoria e no ano seguinte passa a competir na Série B. O mesmo vale para os competidores da Série B que fizerem 115 pontos em um ano, eles sobem para a Série A.
Quantas etapas são realizadas no ano?
São 9 etapas no total.
Existe rebaixamento de categoria?
Caso algum competidor não consiga alcançar o índice técnico da categoria ele pode ser rebaixado. Por exemplo se um vaqueiro subir de categoria e não bater nenhuma senha o ano inteiro, ele é rebaixado de categoria.


Quais as dificuldades de organizar um circuito como o CVV?
A maior dificuldade de organizar um circuito como esse é encontrar os parques com a estrutura necessária para sediar as etapas. Tanto estrutura física como qualidade de boiada. Além disso os proprietários desses parques precisam ter o mesmo objetivo no circuito, que é oferecer uma prova organizada, que cumpra os horários e tenha uma boiada de excelente qualidade para os competidores.
Quantos empregos um circuito como o CVV consegue gerar durante o ano?
Empregos diretos por etapa entre curral, juiz, locutor, calzeiro e pessoal do parque são gerados em torno de 50 e indiretos entre pessoal de bar, limpeza, alimentação, tratadores, barraqueiros, vaqueiros gira em torno de 500. Como temos 9 etapas no ano conseguimos criar aproximadamente 5.000 empregos entre diretos e indiretos.
Como você escolhe os parques que irão sediar as etapas do CVV?
Os parques são escolhidos pela estrutura que eles oferecem. Em primeiro lugar ele deve comportar uma corrida que vai rodar entre 700 e 1.000 senhas, porque esse é o público de cada etapa do circuito. Então olhamos a pista, estrutura de banheiros e vestiário e por último e não menos importante: o gado. Nós cobramos muito a padronização da boiada, hoje nós somos o único circuito que exige que as boiadas das corridas de quinta, sexta e sábado tenham o mesmo padrão. Como tem muito competidor que só consegue chegar na prova no sábado, oferecemos a esse competidor o mesmo padrão de boiada de quem correu na quinta e na sexta, assim todos os competidores irão competir em pé de igualdade independente do dia que vai bater a sua senha.
Outra coisa que levamos em conta é a distância entre o parque e Feira de Santana, ele tem que estar a no máximo 250km.


Como o vaqueiro pode se inscrever para participar do circuito?
Não existe uma inscrição para todo o circuito, o competidor pode ir na etapa que quiser. Logicamente quanto mais etapas ele participar mais chances ele terá de pontuar e consequentemente de se sagrar campeão do circuito. Para que possamos valorizar o competidor que participou de todas as etapas nós damos a ele uma pontuação extra de 25 pontos. Os 10 primeiros colocados do ano disputam a grande final.
Como a pessoa fica sabendo das datas das provas e como pode fazer a inscrição?
Você pode acompanhar nosso circuito através do nosso instagram, lá você fica sabendo de tudo que acontece, datas das provas, premiações, como se inscrever, etc.
Qual a média de premiação de cada etapa? Existe alguma premiação para o circuito?
A média de premiação é R$ 70.000,00 por etapa, sendo que temos R$ 20.000,00 para a Série C, R$ 20.000,00 para a Série B e R$ 30.000,00 para a Série A. Além disso temos a premiação final que em 2022 será de R$ 37.000,00, essa premiação é disputada pelos campeões de pontos corridos e também pelos 10 melhores do circuito. No final temos uma premiação total, no ano, de mais de R$ 600.000,00.



Quais cuidados são tomados com relação ao bem estar animal?
Todas as etapas do CVV são chanceladas pela ABVAQ, nós seguimos rigorosamente o regulamento criado pela ABVAQ junto com o Ministério da Agricultura. Em todas as provas nós temos a presença de um Responsável Técnico e um Juiz de Bem Estar animal.
Que tipo de apoio você acha que ainda falta para o crescimento da vaquejada na Bahia?
A Vaquejada é esporte e além disso movimenta o turismo das cidades onde acontecem as provas, por isso eu acho que deveríamos ter mais apoio de programas como o Fazcultura e o Fazatleta, do Governo do Estado. Além disso precisamos que as marcas olhem com mais carinho para nosso esporte, porque ainda é muito difícil conseguir patrocínio.
Quais novidades podemos esperar para 2023?
Estamos buscando um aumento da premiação final para R$ 60.000,00. Além disso teremos a Categoria Master da Série C e da Série B, que serão disputadas dentro de cada categoria. Estamos também em busca de novos parques. Temos também uma premiação para os melhores do ano, onde premiamos não só os competidores mas todos os profissionais que nos ajudam na realização do CVV. Além disso, todo e qualquer evento tem sempre pontos de melhoria, então procuramos sempre melhorar a cada edição a entrega que fazemos das provas.


